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segunda-feira, 9 de junho de 2014
Descobri que te amo demais
Com a inspiração do Zeca, encontrei o início e a essência da felicidade. Descobri que amo demais a Deus e aos meus filhos. Amo demais a vida, um novo amanhecer, sempre uma nova oportunidade. Amo demais viver a corrida da vida ao lado do meu amor, minha linda esposa, companheira de todas as horas. Descobri que amo demais encontrar amigos verdadeiros, que abrem mão do seu tempo, que abrem as portas da sua casa e do seu coração para receber novas amizades. Descobri tudo isso correndo, olhando para o lado, lá pelo quilômetro 76, num trecho íngreme da famosa subida da Barragem do Lago Paranoá, quando estava quase esmorecendo, exausto, intercalando caminhadas rápidas com trotes curtos, sem me permitir, contudo, desistir ou mesmo imaginar parar.
Era só olhar a expressão de fé, de confiança e de garra do meu novo e incansável amigo Paulo Sergio para me manter na luta. Voltando o olhar para trás, vi todos os quilômetros em que ele esteve ao meu lado, desde antes da primeira passada, com sua superbike, com os providenciais géis, água, Coca-Cola gelada, bisnaguinhas, frutas, água de coco, jujubas da Gabi e palavras de apoio.
Ninguém vence sozinho, é certo! Além do Paulo, estavam comigo a querida Gabi, registrando tudo com sua câmera fotográfica; a Soraya, guiando com maestria o carro de apoio e correndo nos postos e mercados próximos para comprar mais água, gelo e lanches para todos; e, como sempre, minha linda Vivi, separando e organizando a suplementação, os alimentos, as bebidas, me puxando nas trilhas e subidas. Todos eles passando motivação com gritos de incentivo a cada momento.
Tenho certeza de que vencemos. A corrida foi dura. Os primeiros 50 quilômetros da Volta do Lago são ótimos, o percurso é favorável e o sol apenas começa a se animar. Optei por uma estratégia ousada, fechando um pouco mais rápido do que programado essa parte da ultramaratona. Alguns atletas puxaram um ritmo forte no início, porém, na dúvida, sem saber exatamente se iriam suportar aquele pace ou quebrar, procurei não deixá-los abrir muita vantagem. Foi nesse momento que errei ao basear minha prova no desempenho de outros. Em qualquer competição (e numa ultramaratona mais ainda), é fundamental correr o que foi treinado. Apesar dos apelos do Paulo e da Vivi, não segui essa estratégia e acabei correndo mais forte do que deveria, o que me foi cobrado depois. Na segunda parte da prova, com o sol a pino e a altimetria castigante (que inclui trilhas complicadas e aclives acentuados), além da estafa muscular que me torturou, meu ritmo caiu muito. Os que haviam saído na liderança não completaram a prova e os três primeiros colocados vieram de trás. Ainda assim, apesar da queda brusca no rendimento, cruzei a faixa em quarto lugar, com um bom tempo.
É muito bom ser o primeiro a chegar, mas, também, é muito bom apenas chegar. A ultramaratona Volta do Lago Caixa é uma prova bastante difícil. Seus 100 quilômetros reservam surpresas. Afirmo, sem titubear, não teria completado a prova sem os anjos que me apoiaram em cada quilômetro.
Certamente, vencemos a prova, vencemos o cansaço, a vontade de parar e as dores. Vencemos ao concluir, assim como são vencedores todos, do primeiro ao último a cruzar a linha de chegada.
Cada aventura tem sua história. Nesta, descobri que amo demais correr, fazer amigos e viver mais uma grande emoção. Ficou, porém, um gostinho de quero mais. Quero melhorar e, portanto, já começaram os treinos para a Volta do Lago Caixa 2015. Se meu time me aguentar, novamente, estarei lá; sem eles, nem começo.
Beijos, minha linda.
Meu agradecimento especial ao patrocinador máster (Território Mountain) e aos apoiadores que também fizeram meu sonho se tornar realidade (TRC, Fit Premium e Nutriscience Fisio SportNutrition).
http://www.territorioonline.com.br
http://www.trcbrasil.com
http://www.fitpremium.com.br/unidades/batel
http://www.fisio-sportnutrition.com.br
Crédito das fotos: 1 e 5 (Paulo Sergio Costa); 2, 3 e 4 (Henrique Jacob); 6 (Corre pra foto).
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A história dos 100

Ir a Brasília e correr 100 quilômetros foi um desafio arrojado.
Não conseguiria jamais concluir a aventura sozinho. O apoio veio de todos os lados: de pessoas e empresas que acreditaram que eu poderia sobreviver a tal insanidade e me auxiliaram com proventos financeiros e dicas valiosas, com abraços e brados de boa sorte, com curtidas, twitadas, e-mails e muitos pensamentos positivos.
Levei esses incentivos comigo e, nos momentos mais difíceis da prova, quando as pernas fraquejaram, a lembrança de toda fé, todo carinho e amor me fez prosseguir. Quando a Volta do Lago Caixa começou pra valer, lá pelo quilômetro 75, muitos estavam ali, de mãos dadas comigo, em pensamento.
Cheguei à capital federal no sábado à tarde, depois de passar a manhã toda no aeroporto, em Curitiba. Em Brasília, a primeira tarefa foi abastecer o carro de apoio com água, frutas, gelo, pão etc.
A largada da maratona estava prevista para as 5h30. Assim, o despertar no domingo, 9 de junho, foi por volta das 4h e o café da manhã se resumiu a suco de caixinha e bisnaguinhas com queijo.
Os primeiros quilômetros foram tensos, pois tive alguns imprevistos antes da largada. Felizmente, logo foram superados. Afinal, a labuta estava apenas no começo e eu estava obstinado a ultrapassar a linha de chegada.
O início da ultra se deu ainda na escuridão, tendo como cenário a bela arquitetura iluminada do Niemeyer. Integrei um pequeno pelotão de cerca de nove atletas, que se manteve à frente. O ritmo foi comedido, pois, na minha estreia em uma prova de 100 quilômetros, achei de bom tom ser cauteloso. O pace do pelotão se mantinha entre 4'25” e 4'35”/km. Passado algum tempo, o atleta nº 13 tomou a dianteira e eu, que nesse momento tinha meus ombros livres da mochila (abastecida com todos os suplementos) que precisei carregar até o quilômetro sete, fiquei mais leve e tranquilo. Emparelhei com o atleta e segui liderando a prova com ele.
Fizemos amizade naqueles trechos que corremos juntos, batemos papo, tiramos fotos, agradecemos a Deus, em alta voz, pelas belezas da natureza e, enquanto o sol nascia ao nosso lado, nos ajudamos mutuamente. Aureliano foi um grande companheiro de prova. Apesar de toda a animação, o ritmo de corrida nesse momento era de 4’20”/km. Ritmo forte, afinal, à frente restavam ainda um pouco menos de 80 km. Depois de uma subida íngreme, na altura do quilômetro 30, meu companheiro reduziu o passo. Daí em diante, segui sozinho na liderança.
Encontrei algumas boas retas e descidas. Aumentei ainda mais a velocidade e, em alguns quilômetros, o pace se manteve em 4’/km, quando consegui abrir boa vantagem do segundo pelotão, me distanciando cerca de 1,5 quilômetro.
Desde o início da prova, fui bastante cuidadoso com a alimentação e a hidratação. A Roberta e o Hélio, meus anjos em Brasília, foram ótimos apoiadores, me dando suporte, me incentivando e registrando todos os momentos da prova.
Por volta do quilômetro 60, na longa subida da represa do Lago Paranoá, dei a primeira caminhadinha de alguns metros e pude relaxar o esqueleto já cansado. O sol estava forte e o ritmo começou a cair. Num ponto de retorno em que os atletas se encontravam, próximo do quilômetro 75, observei que um corredor de camiseta amarela vinha em ritmo forte, no meu encalço, a pouco mais de quatrocentos metros. Confesso que sonhava com a vitória, porém, quando percebi a aproximação do segundo colocado, em ritmo bem melhor que o meu, esmoreci.
Após o quilômetro 80, o percurso incluiu a travessia por baixo de algumas pontes, descendo pequenas ladeiras acentuadas e voltando a subir do outro lado das pontes. Com a musculatura já em frangalhos e as cãibras se manifestando, numa dessas travessias, na altura do quilômetro 85, o atleta de camiseta amarela me ultrapassou. Cortês, quando passou por mim, me desejou boa sorte e seguiu, assumindo a liderança. Nesse momento, sabia apenas que ele era um dos 34 ultramaratonistas guerreiros da Volta do Lago. Mais tarde, descobri que ele era muito mais do que isso. Sem forças para reagir, segui na segunda colocação. Nessa altura da competição, percebi que as grandes distâncias demandam estratégias bem elaboradas, sendo fundamental conhecer o próprio ritmo, as condições da prova e, também, o pace dos adversários.
Faltando pouco mais de dez quilômetros para o final da prova, restava somente “a capa da gaita” e, assim, caminhei ainda algumas vezes nas últimas subidas. Nesse trecho derradeiro, o carro de apoio não podia acompanhar os atletas e, providencialmente, conheci o Fábio, amigo do ultramaratonista Juvan e ciclista da região, que passou a me acompanhar. Ele me incentivou muito, pois o líder da prova não abriu grande vantagem, estava cerca de quatrocentos metros à minha frente e, por algumas vezes, também caminhou. Apesar da motivação, eu não tinha condições de reagir. Mas segui firme e satisfeito com meu desempenho.
Agradecido a Deus e a todos que me incentivaram, cruzei a linha de chegada a bordo do meu tradicional aviãozinho. Que alegria!!! Sete horas e trinta e sete minutos após a largada, concluí os 100 duros quilômetros da ultramaratona do Lago Paranoá. O sorriso no rosto revelava mais do que felicidade, revelava o alcance com louvor da meta estabelecida nos treinos: ser sub 8 horas nos 100 quilômetros.
Depois de momentos de euforia, de comemoração e de uma breve refeição, subi ao pódio ao lado do atleta que usava uma camiseta amarela durante a prova. O corredor franzino, de poucas palavras, é nada mais, nada menos que o grande Eduardo Calixto, ultramaratonista experiente, bicampeão e recordista da tradicional BR-135, ultramaratona de 217 km que acontece na Serra da Mantiqueira. Minha conquista se tornou mais valorosa ainda por ser dividida com um atleta tão importante.
Para fechar o dia com chave de ouro, o Alexander (primo da Vivi, que tive o prazer de conhecer lá em Brasília e, gentilmente, foi me receber na chegada da prova) me mostrou os mais belos pontos turísticos da capital. Então, me reencontrei com a Brasília iluminada do Niemeyer.
Voltei para casa com a sensação de dever cumprido. Foi uma bela corrida, com fortes emoções, do início ao fim. Fiz o meu melhor e colhi um ótimo resultado. Fiquei muito feliz por ter suportado o ritmo, o que comprova que ainda posso colher bons frutos nesta nova modalidade que abracei.
Também experimentei novas amizades e desfrutei do companheirismo que impera em provas de endurance, nas quais as dificuldades e os sacrifícios são divididos por todos, que se ajudam como podem.
Espero em 2014 voltar a Brasília, desta vez com minha amada, para participar novamente da bela aventura ao redor do Lago Paranoá.
Beijos, minha linda.
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