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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Simplesmente corredor


Ele se mostrava um tanto chateado. Este não foi um ano produtivo como os últimos.
"Estou lento", me diz, "como posso correr num ritmo de 3min40s por km?".
Penso eu, "para mim, isso é um sonho amalucado. Quem dera!".
Mas entendo, quem tem 31 minutos e pouquinho como melhor tempo de 10 km e já fez maratonas com pace de 3min26s não pode, sem resistir, aceitar tal ritmo.
Mais uma vez, ele mostra o grande corredor que é. Compreende e acata os sinais do seu corpo. Considera que é hora de fazer uma breve pausa na corrida.
Aparece, então, com uma ideia nova: "vou fazer spinning". Por duas semanas, levanta cedo e segue em busca da endorfina no "pedal".
Mas o spinning restringe demais o horizonte de quem está habituado a rodar a sua cidade em treinos e já queimou o asfalto de muitas outras cidades em corridas memoráveis.
Surge, pois, inesperadamente, a motivação que ele precisava para voltar a correr com a mesma garra de sempre: a seletiva para a Nike SP-Rio 2011.
Lá vai ele para o primeiro desafio, a maior quilometragem em quatro dias.
Começa com doses "suaves" de corrida, 24 km pela manhã, 27 km à tarde no primeiro dia. O quarto e último dia — ou melhor, última noite, para a angústia da amada preocupada — fecha com 75 km rodados! Resultado: 204 km em quatro dias.
No segundo desafio, três luas depois, 25 km em 1h31min30s. No mais leve de todos, o terceiro desafio, 20,5 km em 1h13min24s.
E, para finalizar esta primeira etapa, a seletiva presencial: 28 km divididos em duas baterias, com um intervalo de 30 minutos, no ritmo de 3min39s por km.
Não há outro caminho: primeiro colocado na seletiva nacional para a Nike SP-RJ 2011, integrando a Equipe Ultras.
Assim corre o meu MP.


Dedicação, animação, fé, treinos, treinos e mais treinos árduos para colher os muitos frutos destes quase vinte anos de corrida.
É apenas o início de mais uma conquista. Suas pernas ligeiras ainda trarão muitas outras alegrias para ele — e também para todos os seus fãs.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A escalada do Morro do Sertão


Após uma breve hibernação, finalmente, retomo as atividades da corrida. Desde meados de março, venho tratando uma lesão na panturrilha, após uma queda durante o treino.
Neste ano, planejei alterar um pouco “os ares” e resolvi experimentar novas aventuras. Já participei da minha primeira corrida de aventura, em Morretes, no mês passado. Fui vice-campeão da prova e quase morri em meio a tanta lama e subidas, além, é claro, de me encantar nas belas trilhas e tomar um delicioso banho de cachoeira.
Parabéns ao Willian, amigo e grande campeão da prova!
No dia 24 de abril, participei do Revezamento Volta à Ilha, em Florianópolis, e escolhi, para a minha corrida, o famoso Morro do Sertão, tão temido e admirado.
A equipe que integrei participou da prova na categoria aberta mista. Foi composta por 5 homens e 3 mulheres, atletas escolhidos a dedo pelo coordenador da equipe, Emerson Comiran. Todos, além de ótimos corredores, formamos um time de companheiros.
Falando brevemente sobre a prova, saímos na liderança da nossa categoria desde o primeiro trecho e fomos abrindo vantagem ao longo da competição, enfrentando garoa, areia fofa, subidas íngremes e muitas gargalhadas.
Corri um trecho de 5 km logo no início da prova e, bem mais tarde, veio o Morro do Sertão, classificado pela organização da prova como OMD – “o mais difícil”. Preferi rebatizá-lo de “o mais divertido”, hehehe. Achei melhor pensar assim...


Havia pedido opiniões e dicas, lido textos sobre o morro na internet, visto fotos e vídeos para tentar me preparar. Enfim, chegou a minha hora! Na área de transição do posto 19, peguei o bracelete das mãos da Érli, que desbravou vários quilômetros de areia fofa, dali corri uns 300 metros pela areia e virei à direita, numa trilha estreita, que seguia por um asfalto praticamente plano. Tinha ouvido falar que o morro começava após o km 3 e já sentia um friozinho na barriga, uma vontade imensa de subir logo, de uma vez por todas.


Enfim, teve início um pequeno aclive, que aumentava suavemente em curva, com 50% da área em barro mole, que criava uma segunda sola de argila no tênis, e os outros 50% como um escorregador natural, uma superfície barrosa, lisíssima, ótima para prática de esqui. Lá fui eu, conhecendo aquilo tudo, subindo, virando, subindo, virando, o coração já na boca, os passos cada vez mais curtos, o batimento aumentando, umas deslizadas, derrapadas, então, a primeira descida, que alívio; brevemente, pensei, acabou o morro! Ledo engano, era só olhar em volta e à frente para ver que estava longe do fim. O declive era forte e o piso continuava daquele jeitão, 50/50, era só escolher: escorregar ou grudar no chão! Depois da descida, outra subida íngreme após a curva, quase interminável, depois, outro declive. Novamente, pensei, agora é o fim; que nada, ainda outro tope me aguardava. A paisagem era do jeito que gosto, mata fechada dos lados, muito ar fresco e um desejo determinado de não me permitir andar. Por vários momentos, me flagrei correndo a 7min30s/km, com batimento próximo de 185 bpm, sem andar, hehehe. Depois de um sobe e desce, resolvi desistir de tentar adivinhar o fim do morro. Os quadríceps e as panturrilhas foram duramente castigados e já davam sinais de fadiga, quando, finalmente, me deparei com uma das mais belas paisagens que já testemunhei. Lá do cume do Morro do Sertão, se vê praticamente toda a Ilha de Florianópolis. A linda praia e o mar azul se misturaram, então, ao sentimento de missão cumprida. Ufa, subi o temido Morro do Sertão!
Epa, quem roubou o chão?! Isso mesmo, erroneamente, achei que subir seria o problema, porém, a descida é tão ou mais dura que a subida. O terreno seguia liso e pesado e, agora, com outros ingredientes, a fadiga que me tomava e o declive muito acentuado deixavam aquilo parecido com o fim de uma montanha russa. Tive quase que me agarrar às cercas laterais para não empacotar no chão. Usei as pernas como freios e, assim, segui até o final da longa descida; no asfalto, corri ainda 4 quilômetros para concluir o meu trecho.


Foi uma experiência memorável, finalizei os 15 quilômetros em 1h00min25s. Estava em êxtase, satisfeito com o meu desempenho, por ter vencido mais esta etapa e por ter resistido, sem andar e sem sentir a dor da lesão na panturrilha. Que alegria!
Por fim, a nossa equipe foi a campeã da categoria com larga diferença. Ainda batemos o recorde da prova na categoria e ficamos com o 3º lugar geral. Valeu muito a pena!
A endorfina, a alegria, o companheirismo, as novas amizades, a superação.
Próxima parada: K42, em Bombinhas (SC), no dia 22 de maio de 2010.
Beijos, minha linda.

Fotos de Emerson Zanoni