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segunda-feira, 4 de março de 2013

Um drinque no Morro da Palha




Em 2010, a paixão da minha vida se inscreveu para a K42 Bombinhas Adventure Marathon. No desejo de experimentar novas aventuras, o MP se embrenhou nas corridas de montanha. Participou de algumas etapas do Circuito Paranaense de Corridas de Montanha organizado pela Naventura (esteve no pódio em todas elas, novidade, rs) e seguiu para “a maratona mais bela e mais desafiadora do país”. Não fez a prova que gostaria, provavelmente, o período de treino foi curto, ele não se diverte correndo em ritmos mais lentos, como exige esse tipo de prova, talvez não fosse o “seu” dia (está aí a beleza das maratonas, sua não previsibilidade). Enfim, a K42 ficou “entalada” na sua garganta e a vontade de fazê-la novamente, bem treinado, se mantém desde então. E desde então também, ele vem tentando me seduzir para a K42.



Até pouco tempo atrás, as provas de montanha não me entusiasmavam. Vários amigos já foram conquistados por essa modalidade de corrida e o motivo mais recorrente para isso é “cansei do asfalto”. Eu justifico meu percurso diferente afirmando “ah, mas eu ainda gosto tanto do asfalto...”.
O MP, que é grande fã da variação de terreno nos treinos e adora dar uma fugidinha do asfalto sempre que possível, me apresentou lindos percursos de estrada de chão. Gostei muito, fizemos ótimos treinos e algumas provas de cross country. Sem dúvida, belas paisagens deixam qualquer treino mais interessante.



Neste ano, para apimentar um pouco mais minha (nossa) vida, ele me surpreendeu com um singelo presente. Vinte dias antes da K21 Half Adventure Marathon, me avisou:
— Vamos fechar seu período de treino de base com chave de ouro, fiz sua inscrição para a K21.
— O quê?!!! — perguntei. — Eu apenas afirmei que deveria ser uma bela prova; as imagens divulgadas são sedutoras...
— Então, é sem compromisso. Você precisa fazer uma meia maratona para concluir este ciclo de treino. Você vai se divertir. Mas claro, prova é prova... — me provocou sutilmente, como de costume.
Recuperada do susto, respondi nervosinha:
— Ok, mas não vou correr forte. Meu alvo é a Maratona de Porto Alegre e eu não quero me machucar em uma prova para a qual não treinei adequadamente. Essa não é qualquer provinha.
Como sempre, meu amor concordou, mas os planos maquiavélicos continuavam fervilhando na sua mente predadora de campeão.



Tentei não me informar muito sobre a corrida (ao menos, até onde minha curiosidade permitiu), pois nenhuma palavra que eu ouvia ou lia sobre ela, mesmo sem querer, me trazia notícias tranquilizadoras. Em corrida de montanha, “quanto pior, melhor”, esse é o lema, e os corredores se deliciam com tal fantasminha.



E assim, sem compromisso e sem expectativas (minha ingênua pessoa pensava dividir essa ideia com meu incentivador-mor), o MP e eu seguimos para o Parque Ecológico Ouro Fino, em Campo Largo. Recuperando-se de uma lesão, desta vez, ele ficou nos bastidores, dando o melhor apoio do mundo, como sempre, fotografando e filmando os amigos corredores e se divertindo muito seja como for, seu padrão de comportamento.





Após abraços, beijos e festejos no encontro com os amigos, a tensão pré-largada foi o caminho natural e “pernas pra que te quero”, no momento, o antídoto mais apropriado. Um pequeno trecho de asfalto deu início à prova, depois dele a primeira trilha e dali em diante o entretenimento ininterrupto e de primeira qualidade só acabou na linha de chegada.
Trilha gramada, subida, descida, lama, estrada de chão, subida, subida, trilha de terra, subida, lama, descida, trilha com erosões e cascalhos, subida, subida, descida, subida, vista maravilhosa, trilha, subida, descida, córrego para refrescar as pernas e encher de água o tênis já cheio de lama, belo carreiro no meio da mata serrada, subida que parece não ter fim, trilhas, outras trilhas e mais trilhas, descida, subida, árvores que formam um túnel cercando o caminho, subida, descida, descida, trilha, carreira, estrada de chão, outra subida para manter a consistência, descida, um trecho de asfalto, mais uma bela subidinha, afinal, as pernas dos corredores precisam de mais esse incentivo e, finalmente, a linha de chegada. Essa foi a sinfonia oferecida aos bravos corredores pela K21 Half Adventure Marathon — Curitiba.



A natureza já estava ali, apenas esperando seus admiradores, mas, como bem se sabe, o sucesso de um evento esportivo depende de uma organização eficiente e nisso também a K21 foi impecável. Apoio, hidratação, sinalização do percurso, animação, respeito pelos corredores: tudo na medida certa!



















A paisagem lindíssima instigava a vontade de parar e contemplar a natureza, mas, para mim, não era possível, eu tinha pressa. O amor da minha vida estava me esperando e eu precisava retribuir o presente que recebi vinte dias antes.
Fui conquistando no percurso o regalo que lhe daria, minhas pernas seguiram fortes, o descompromisso me ajudou no início e tudo foi mais que perfeito. Minha estreia em corridas de montanha foi brindada com a vitória entre as mulheres (e minhas concorrentes, diga-se de passagem, eram feras!!). Poderia ser melhor?!



Não vou afirmar que a prova foi fácil, não mesmo. Mas também não foi a mais difícil que já fiz. A mais bela, sim, não há dúvidas!! Corri com alegria, com sorriso no rosto, porque o percurso merecia e porque meu maior incentivo em cada passada estava na minha mente e no meu coração, ouvindo aquela mesma sinfonia.



E, assim, os planos do MP mais uma vez foram bem-sucedidos. A K42 Bombinhas, agora, está bem mais pertinho de mim.
Beijos, meu amor.

Créditos das imagens: MP, exceto as fotos 2 (Naventura), 8 (Wladimir Togumi) e 19 (Nicholas Egoshi)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Retomando as passadas


Após longo tempo ausente, retorno com grande motivação, bons resultados e planos para um futuro próximo.
Neste ano, decidi experimentar novas sensações na corrida, então, participei de duas provas de 10 km em montanha e, depois, me aventurei na belíssima e terrível K42 Bombinhas Adventure Marathon – sobre ela falarei detalhadamente em outro momento.
Nessas “aventuras” longe do asfalto, contraí uma lesão na virilha, a qual, graças a Deus, com paciência, cuidados específicos e fé, consegui superar.
Retomei as passadas quatro semanas antes da Corrida Serra da Graciosa, porém, em função da proximidade do evento, meu técnico e eu consideramos mais adequado não participar da prova. Planejamos, então, finalizar o ano sem uma competição-alvo, mas somente com treinos específicos visando a Supermaratona de Rio Grande, em fevereiro próximo.
Na Maratona de Curitiba, decidimos fazer um treino longo de ritmo, entre 3min40s e 3mins45s, de 32 km, também visando os 50 km de Rio Grande.
Havia feito, em 6 de novembro, um treino de 32 km no percurso da maratona, no ritmo de 3mins48s/km, porém com a sobrecarga da semana.
Quando chegou o dia 21 de novembro de 2010, lá estava eu, alinhado na largada para a minha 10ª maratona em Curitiba, com o objetivo específico de buscar o ritmo determinado para o treino.
Neste ano, a largada para os homens aconteceu às 7h, o que ajudou a fugir um pouco do sol que viria com força no meio da manhã.
No horário marcado, soou a buzina e foi dada a largada. Muitos atletas iniciavam sua primeira corrida de 42,195 km – e bem preparados –, outros fizeram um treino razoável, porém tinham motivação de sobra para a prova. Todos mantinham olhar determinado, cuidando da passada, do movimento do braço, do relógio etc.
Na largada, tive a agradável companhia do meu amigo Varjão, que correu com a sua câmera, filmando a prova toda e registrou o início da minha corrida.
Estava me sentindo muito bem, tentei acompanhar alguns atletas nos trechos iniciais, mas estava difícil combinar ritmos, uns eram mais rápidos, outros mais lentos, então, mantive o meu ritmo.
Fechei o km 10 em 35min50s, o km 20 em 1min12min00s e segui, mentalizando aumentar o ritmo, pois faltavam apenas 12 km para o fim do meu treino.
Confesso que, lá no fundo, intencionava estar bem para seguir até o final da maratona, contudo, primeiramente, queria cumprir a minha missão naquele dia. E fiz dessa forma, chegando ao km 32 com o tempo de 1h56min35s.
Como o km 32 era bem em frente ao Shopping Cidade, lá na Vila Hauer, tão longe de casa, e percebi que estava bem, segui correndo, hehehe.
Tive o apoio de vários amigos pelo caminho, com água, repositor, aplausos. Minha linda e meu filho também me prestigiaram, foi muito bom.
Os quilômetros foram passando, mas ainda me sentia bem, assim, concluí a prova dando uma pequena aceleradinha na reta final, para fazer graça com os amigos da Trainer que festejaram a minha chegada. Que alegria!
O resultado final foi: 2h36min08s, vice-campeão da minha faixa etária.
Após a chegada, consegui andar normalmente e estava muito falante, experimentando a famosa endorfina, uma delícia. Foi uma prova marcante, com pouco desgaste e muito prazer.
Lembro que esta história começou no sábado à noite, quando a minha linda, dedicada e amorosa, preparou, para o meu “jantar de massas”, talharim com brócolis e um delicioso salmão – que estavam mara!
Foi mais uma maratona na carreira, um belo treino concluído e, agora, o foco é a preparação para 27 de fevereiro de 2011, quando, novamente, estarei em Rio Grande, buscando um ótimo resultado.
É bom escrever e “maratonar” novamente por aqui.
Saúde e bons treinos!
Beijos, minha linda.